Sobre a Obra
A PARTIR DESSE MOMENTO APREGOAREMOS UMA RARA COLEÇÃO DE JÓIAS DO PERÍODO BARROCO BRASILEIRO. SÃO ORIUNDAS EM SUA MAIORIA DA REGIÃO AURÍFERA DE MINAS GERAIS, OURO PRETO E O TEJUCO. SÃO JÓIAS COM FINS DEVOCIONAIS E SENDO ASSIM APRESENTAM ELEMENTOS DE SIMBOLOGIA CRISTÃ. INICIAMOS COM O LOTE QUE SEGUE: JOIA COLONIAL BRASILEIRA. PORTENTOSO CRUCIFIXO RELICÁRIO ESTILO E ÉPOCA DOM JOSÉ I EM OURO APRESENTANDO CRISTO SOBRE CRUZ, MAGNIFICAMENTE ELABORADA. A CRUZ É RAIADA COM BELO RESPLENDOR, TAMBÉM O CRISTO APRESENTA RESPLENDOR. NA EXTREMIDADE ELEGANTE LAÇO FLORAL QUE SE ARTICULA AO CONJUNTO POR MEIO DE UMA DOBRADIÇA CONFERINDO MOBILIDADE A PEÇA. CRUZ SIMULANDO TRONCO. NA PARTE TRASEIRA ACESSA-SE O RELICÁRIO REMOVENDO A TAMPA EXTERNA. ESTA TAMPA EXTERNA É DECORADA COM OS SÍMBOLOS DA PAIXÃO DE CRISTO: A COROA DE ESPINHOS, A LANÇA E O CRAVO, A ESCADA. O CHICOTE, A CANA, O CALICE DA EUCARISTIA E O FRASCO DE VINAGRE SERVIDO A CRISTO COMO ÁGUA. EXREMIDADES DA CRUZ TRABALHADAS EM VAZADO. REQUINTADA OBRA DA OURIVESARIA BRASILEIRA, RESULTANTE DA INCORPORAÇÃO DAS TÉCNICAS MOÇÁRABES INTRODUZIDAS NO PERÍODO COLONIAL, PELOS PORTUGUESES, NO ARRAIAL DO TEJUCO. DIAMANTINA. MINAS GERAIS. SÉCULO XVIII. 8,5 CM DE ALTURA, 30,4 G.NOTA: Em Minas Gerais, durante o século XVIII, alguns ourives portugueses influenciaram o gosto pelo adorno corporal. O ourives Pantaleão da Costa Dantas aparece no Censo Geral dos Ofícios, realizado entre 1746 e 1747 na Comarca de Vila Rica. no Censo Geral dos Ofícios realizado naquela data na Comarca de Vila Rica. 10 Em 2 de agosto de 1749, constava no registro de uma carta de exame para exercer a ourivesaria, que lhe foi passada na cidade de Braga.11 Francisco de Matos Pereira atuou em 1722 na freguesia de Guarapiranga, que pertencia ao Termo de Mariana. Era, segundo documentos da época, Natural de Lisboa, de presente morador nestas minas freguesia de Guarapiranga, homem casado em Portugal, que vive de seu ofício de ourives do ouro, de edade de trinta anos, pouco mais . Entretanto a obsessão com os descaminhos do ouro fez com que a época pombalina levasse às últimas consequências a política de repressão aos ourives, iniciada já em 1698: a profissão foi extinta por decreto em 1766 o que conduziu a proliferação do trabalho de ourives práticos que produziram as maravilhosas jóias coloniais Brasileiras. Os africanos, junto aos europeus e asiáticos foram responsáveis pela difusão do gosto pela utiliza- ção de joias em terras brasileiras. Percebe-se que quase toda essa gente que viveu na região das Minas Gerais do período colonial usou joias de alguma forma e os exemplos de peças encontradas nos documentos atestam tal prática. Mesmo com o valor monetário sendo o principal foco dos inventários, as joias descritas nesses podem nos dar pistas da dinâmica social e econômica vivida pelos residentes na região onde os documentos foram produzidos e utilizados, ou seja, os distritos ouríferos das Minas Geraes onde o ouro corria em profusão. Em conjunto com os testamentos, cujos legados estão expressos, podem ser encontrados uma grande quantidade de joias, indicando grande fluxo econômico e, provavelmente, grande circulação de pessoas. Os inventários mineiros, quando listam as joias, fazem-nos como sendo ouro lavrado. Eram broches, anéis, cordões de ouro, brincos, laços, braceletes, enfim, ornamentos e artefatos em ouro utilizados na vida cotidiana e foram listados, mesmo que sem referência de técnica ou dimensões. Mas insuperáveis são os registros de cruzes tanto pertencentes a homens como mulheres. Um viajante do sec. XVIII anotava em suas impressões a profusão de jóias que usavam tanto as opulentas senhoras quanto suas escravas:" As peças com que se ornam são de excessivo valor e quando a função o permite aparecem suas mulatas e pretas vestidas com ricas saias de cetim (...) e tanto é o ouro que cada uma leva em fivelas, cordões, pulseiras, colares, ou braceletes de bentinhos que sem hipérbole, bastam para comprar duas ou três negras ou mulatas como a que o leva; a tal conheço eu que nenhuma dúvida se lhe oferce em sair om quinze ou vinte, assim ornadas (Brasil 1787/1799). Assim as joias coloniais tem papel utilitário de reafirmação da riqueza dos donos da terra; serviam como enfeite para escravos em festas pelas cidades e também como adorno para as imagens de santos nas procissões. Uma forma de amostra em situações sociais.