Sobre a Obra
HENRY WALDER A REVOLTA DA ARMADA NO RIO DE JANEIRO ASC ACID. E DATADO ESSA AQUARELA É UM IMPORTANTE REGISTRO HISTÓRICO E ICONOGRÁFICO QUE RETRATA OS NAVIOS AMOTINADOS DA MARINHA BRASILEIRA ATIRANDO CONTRA OS FORTES DE SÃO JOÃO, TAMANDARÉ DA LAGE E SANTA CRUZ DA BARRA, PRINCIPAIS DEFESAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO NA ÉPOCA EM VIRTUDE DA POSSIBILIDADE DO CRUZAMENTO DE FOGOS. A REVOLTA SE DEU DURANTE O GOVERNO DE FLORIANO PEIXOTO. COM INSCRIÇÕES DE DEDICATÓRIA: A MINHA BOA MÃE ISABEL MONTEIRO DE NIEMEYER PELO DIA DE HOJE LEMBRANÇA DE VIVALDO DE NIEMEYER. ISABEL MONTEIRO DE NIEMEYER FOI CASADA COM O FILHO DO MARECHAL NIEMEYER: ALONSO CONRADO DE NEMEYER. APÓS A REVOLTA DA ARMADA O MARECHAL NIEMAYER PASSOU A SER O comandANTE da 1ª Divisão, composta das brigadas que guarneciam o litoral, desde o Morro da Viúva até a Praça da Harmonia. rio de janeiro, sec. xix. 45 x 23 cm (somente a obra sem considar paspatour e moldura)nota: HENRY WALDER foi um importante pintor da segunda metade do sec. XIX que fez atraves de sua obra importantes registros iconográficos do Rio de Janeiro Imperial e depois na República velha. Participou ativamente na vida artística da cidade apresentando trabalhos em salões da Academia Imperial de Belas Artes e representando o Brasil ao lado de outros importantes pintores como Elisee Visconti, E. Papf e Oscar Pereira da Silva na Exposição Internacional da Louisiana. A Revolta da Armada foi um movimento de rebelião ocorrido em 1893 e liderado por tropas da Marinha Brasileira contra o governo do presidente Floriano Peixoto. As causas do movimento foram Interesses, divergências e disputas entre grupos políticos no começo da República Velha, destituição dos governadores que apoiavam o presidente Deodoro da Fonseca após sua renúncia em 1891 por Floriano Peixoto, alguns grupos militares, principalmente da Marinha, eram contrários a ascensão política de civis, promovida pelo governo de Floriano Peixoto, pouco prestígio político, no âmbito federal, da Marinha em relação ao Exército. Também os militares revoltosos da Marinha contestavam a legalidade do governo Floriano, pois a Constituição dizia que o vice-presidente só poderia assumir o cargo após dois anos de mandato do presidente. Como a renúncia de Deodoro aconteceu antes de dois anos de mandato, os revoltosos contestaram a legalidade constitucional do governo Floriano. VIDE ALGUMAS NOTÍCIAS SOBRE A REVOLTA PUBLICADAS NOS JORNAIS DA ÉPOCA: REVOLTA DA ARMADA: "Desde a madrugada de ontem começaram a circular notícias de graves acontecimentos. Soube-se que estava interrompido o trânsito da estrada de ferro central e que a marinha se puzera em atitude hostil ao governo do Sr. Marechal Floriano Peixoto. Depois foram, pouco a pouco, aparecendo os verdadeiros pormenores. (...) No Mar: Segundo estamos informados daí começaram pouco antes da meia noite pelo assalto ao encouraçado Aquidaban, que apenas tinha a bordo o oficial de quarto, 1o tenente Mello Moraes. Isso feito, foi atacada e tomada a Armação, e, em seguida, os outros navios da esquadra e os vapores das companhias Lloyd Brasileiro, Lage e Frigorífica, que foram armados em pé de guerra e incorporados à esquadra revolucionária, Todos esses navios receberam grande quantidade de municão na Armação, colocando-se depois em linha prolongada à terra. As torpedeiras foram também incorporadas à esquadra e durante todo o dia percorreram a baía. Os navios revolucionários são: os encouraçados Aquidaban, Javary, Sete de Setembro, cruzadores República, Trajano, Orion, corveta Amazonas, canhoneira Marajó, torpedeiras de alto mar e de lança. (...)" - Jornal do Brasil, 7 de setembro de 1893. "Às 9 horas da manhã uma lancha do cruzador República apreendeu uma das lanchas do cruzador Almirante Tamandaré. Pouco depois, atravessando a baía e rebocador Emperor, uma das lanchas que policiam o porto, deu dois apitos e, tendo aquele rebocador parado, aprisionou-o, deixando fundeado um saveiro que aquele conduzia. Foi também aprisionado o paquete Matilde, e mais tarde levados para a Armação os cruzadores Guanabara, Almirante Tamandaré e a galeota Quinze de Novembro. O Júpiter foi incorporado à esquadra. (...)" - Jornal do Brasil, 8 de setembro de 1893. "(...) Ao amanhecer o Aquidaban embandeirou em arco e toda a esquadra revoltada içou a bandeira nacional no topo do mastro grande em comemoração à data de 7 de setembro. Depois das 7 da manhã, do cais do Arsenal da Marinha começou-se a observar os movimentos da torpedeira Marcílio Dias, que por diversas vezes chegava à fala aos navios estrangeiros, naturalmente para parlamentar, e do cruzador República, auxiliado por diversas lanchas, para o ancoradouro dos paquetes de Lloyd, onde, depois de apreender diversas embarcações pequenas, começou a apoderar-se dos vapores ali fundeados, os quais eram conduzidos para junto da esquadra revoltada, por diversos rebocadores. O Júpiter foi tirado do lugar em que estava e encorporado à esquadra, encarregando-se desse trabalho o 1o tenente Camisão de Mello. (...) Jornal do Commércio, 8 de setembro de 1893. "Eis o que ontem se passou. Às 6 horas da manhã o Júpiter levantou ferro e foi fundear no canal do Engenho. Na passagem foi hostilizado pela bateria da Ilha do Governador. O Aquidaban recebeu carvão, que lhe levaram um saveiro e uma lancha da Ilha das Enxadas. Da Ilha do Governador foram disparados alguns tiros contra o Tamandaré.À tarde o forte de Gragoatá bombardeou a fortaleza Villegaignon. Informam-nos que em Campos estãp prontos para o serviço dois batalhões da guarda nacional, o 11o e o 39o, com os oficiais já fardados e as companhias completas. Muitos oficiais de outros corpos também se fardaram e esperam ordem." Gazeta de Notícias, 9 de fevereiro de 1894. "O Dia de ontem raiou ao som estridente do forte canhoneio que houve de madrugada entre as fortalezas da barra, Gragoatá, baterias do morro de S. João em Niterói e da Armação de um lado, e alguns navios da esquadra revoltosa e Villegaignon de outro. Foi uma luta renhida que se prolongou até cerca das 9 horas da manhã. Cerca das 2 horas da manhã quatro lanchas dos revoltosos largaram do Aquidaban e dirigiram-se para os lados da Armação, disparando para ali os seus canhões de tiro rápido e metralhadoras, e neste posto tiveram luta com as forças que guarnecem aquele estabelecimento e as da Ponta da Areia. Naquela ocasião deixaram os seus ancoradouros e aproximaram-se também da Armação o Aquidaban, o Liberdade e o frigorífico Júpiter, que tomaram parte no combate. As forças da Armação e Ponta da Areia atacaram com vivo fogo os navios e lanchas, atirando às 6 horas da manhã as fortalezas de Santa Cruz e da Lage para Villegaignon, e S. João para a Ilha das Cobras. Villegaignon respondeu atirando para Gragoatá. Este forte trocou disparos com o encouraçado Aquidaban. Depois das 10 horas retiraram-se os navios e lanchas. O sr. general Argolo, chefe das forças que guarnecem Niterói, dirigiu ao sr. Ministro da Guerra o seguinte telegrama: "As forças legais destroçaram os revolucionários, que tentaram desembarque na Armação. Morreram três oficiais e muintos marinheiros. Os revolucionários refugiaram-se no fundo da baía." Consta que por notícias oficiais sabe-se que foram aprisionados 55 marinheiros e três oficiais, um dos quais de nacionalidade estrangeira. Às 5 horas a Ilha das Cobras atirou para terra. Nesta ilha houve ontem un incêndio em um galpão. Pouco depois foi extinto. Da Ilha do Governador fizeram de manhã alguns disparos contra o Tamandaré , que pouco depois respondeu." Gazeta de Notícias, 10 de fevereiro de 1894. "Muito semelhante ao anterior foi o dia de ontem. A população ainda se manteve tranqüila, esperando os acontecimentos, com a máxima confianá no governo e na vitória da República. Nas ruas notou-se a animação dos dias normais. O comércio con