Sobre a Obra
RELICÁRIO - RARO ESTOJO EM PRATA DE LEI (COM MARCAS DE CONTRASTE NÃO IDENTIFICADAS) CONTENDO RELÍQUIAS TRIPLAS DE SÃO FRANCISCO DE SALLES, SANTA JOANA DE CHANTAL (QUE SERVIU NA ORDEM DA VISITAÇÃO FUNDADA POR SÃO FRANCISCO SALES) E SANTA MARGARIDA ALACOQUE. OS TRÊS SANTOS ESTÃO LIGADOS A ADORAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS. POR ISSO O ESTOJO TEM EM RELEVO A REPRESENTAÇÃO DO SAGRADO CORAÇÃO INFLAMADO. POSSUI LACRE EM CERA NA PARTE INTERNA. EUROPA, SEC. XIX. 3,5 CM DE ALTURANOTA: FRANCISCO DE SALES foi o primeiro filho dos treze que os Barões de Boisy tiveram. Nasceu no castelo de Sales, na Sabóia, em 21 de agosto de 1567.Seus pais eram devotos de São Francisco de Assis e então Francisco de Sales o tomou como exemplo de vida. Seu preceptor era o Padre Deage, que o acompanhou até sua morte. Francisco estudou retórica, filosofia e teologia que lhe permitiu ser depois o grande teólogo, pregador, polemista e diretor espiritual que caracterizaram seu trabalho apostólico. Fez voto de castidade e se colocou sob a proteção da Virgem Maria. Seu pai escolheu uma jovem rica e bela para ele se casar, mas Francisco recusou tudo. Recebeu, então, a ordenação de Cônego, fazendo seu pai perceber sua vocação. Em 1599, foi nomeado Bispo auxiliar de Genebra; e, três anos depois, assumiu a titularidade da diocese. Seu campo de ação aumentou muito. Assim, Dom Francisco de Sales fundou escolas, ensinou catecismo às crianças e adultos, dirigiu e conduziu à santidade grandes almas da nobreza, que desempenharam papel preponderante na reforma religiosa empreendida na época com madre Joana de Chantal, depois Santa, que se tornou sua co-fundadora da Ordem da Visitação, em 1610. Até a família real da Sabóia não resistia ao Bispo-Príncipe de Genebra, que era sempre convidado para pregar também na Corte. Publicou o livro que se tornaria imortal: Introdução à vida devota. Francisco de Sales também escreveu para suas filhas da Visitação, o célebre Tratado do Amor de Deus, onde desenvolveu o lema: a medida de amar a Deus é amá-lo sem medida. Francisco de Sales faleceu no dia 28 de dezembro de 1622, em Lion, França. SANTA JOANA DE CHANTAL Nascida em Dijon em 23 de janeiro de 1572, Joana Francisca tinha apenas dezoito meses quando se torna órfã. Joana desposou Cristóvão de Rabutin, barão de Chantal, de 27 anos de idade, em 28 de dezembro de 1592. Ela é chamada a Dama perfeita primeiramente por seu senso prático que ela revela ao sanear os negócios do domínio endividado que lhes é confiado, mas sobretudo pelo fervor de sua fé, a jovem dama é muito atenta em edificar, evangelizar, se necessário, àqueles que freqüentam Bourbilly. Cristóvão e Joana, profundamente unidos, tiveram seis filhos, dos quais dois morrem em tenra idade. Desde então, ela amava os pobres que o sabiam e vinham à entrada do castelo onde eram servidos cada dia pela Baronesa. Durante um período de fome, cuidados e provisões de pão foram fornecidos em abundancia aos infelizes. Testemunhas afirmaram que ocorreram misteriosas multiplicações de trigo e depois de farinha. Apaixonadamente enamorada de seu marido, Joana é despedaçada pela dor quando ele morre em 1601, após um acidente de caça. Em 1602, seu sogro, irascível e autoritário, ordena-lhe morar com ele em Monthelon, senão deserdará seus filhos. Por eles, ela aceita com humildade e paciência este purgatório que durará sete anos. O Barão Guido de Chantal havia confiado a casa à uma serva com quem ele teve vários filhos. Ela indispõe o ancião contra Joana, e esta não pode fazer nada sem permissão. Como lhe é duro ver dissipar os bens de seus próprios filhos! Joana vive uma vida espiritual intensa onde conhece uma profunda intimidade com Deus, mas em uma obscuridade atravessada de dúvidas; prova da fé que durará quase até seus últimos dias. Na Quaresma de 1604, o seu pai convida-a para ir a Dijon a fim de poder seguir a pregação do Bispo de Genebra. Em 05 de março, desde que ela o vê, Joana o reconhece: é ele, o guia que lhe fora prometido em uma visão. Francisco de Sales também a reconhece, enquanto ele preparava suas pregações de Quaresma, ele teve uma visão de uma Ordem que ele fundaria, e daquela que nela colaborará. Mas a família de Joana, ignorando o voto de castidade que ela fez, pressiona-a a aceitar se casar novamente pelo futuro de seus filhos. Para fortificar sua resolução, Joana grava em seu peito, com um ferro em brasa, o Santo Nome de Jesus. Outros encontros acontecerão com Francisco de Sales durante os seis anos em que vai tomando forma, pouco a pouco, o projeto de fundação da Visitação. A Baronesa de Chantal fez uma comovente despedida de seus filhos e seu pai, depois abandona Dijon em 29 de março de 1610, pranteada por todos os pobres da vizinhança. Pouco depois de sua chegada a Annecy, em cartório, ela se despoja de todos seus bens em favor de seus filhos. Domingo, 06 de junho de 1610, inaugura-se uma nova forma de vida religiosa. Nesta festa da Santíssima Trindade, Francisco de Sales dá a Madre de Chantal um compêndio das Constituições: Segui este caminho, minha caríssima filha, e fazei segui-lo por todas aquelas que o céu destinou a seguir suas pegadas. A casa de la Galerie, nos subúrbios da cidade, foi o lugar de nascimento desta nova Congregação. O nome escolhido pelo Fundador: a Visitação de Nossa Senhora, mas a vizinhança se habitua a chamar o mosteiro Santa Maria; este formará o nome da Visitação de Santa Maria. São Francisco de Sales encontrava na contemplação deste mistério mil particularidades que lhe deram uma luz especial sobre o espírito do Instituto: contemplação e humildade, louvor de Deus e serviço do próximo, disponibilidade ao Espírito Santo e ardor missionário, simplicidade e alegria no Senhor. O Fundador já imprime nas suas primeiras filhas sua devoção ao Coração de Jesus. Durante este mesmo ano de 1612, em um êxtase, Deus mostra a Madre de Chatal o gozo que ele tem nas almas puras, e lhe inspira o desejo de se consagrar por voto a fazer sempre o que lhe parecer mais perfeito. Em 13 de dezembro de 1641, cercada por suas Filhas a quem ela recomenda a fidelidade e a união de corações, (a Visitação conta então 87 mosteiros) Joana de Chantal termina sua vida como ela a viveu, com o único pensamento d´Aquele de quem ela pronuncia o nome por três vezes antes de dar seu último suspiro: Jesus! Jesus! Jesus! Foi com um coração ardente de Amor de Jesus que Joana de Chantal amou seu pai, seu marido, seus filhos, seus amigos, seu único Pai (Francisco de Sales), suas filhas da Visitação, os pobres e até seus inimigos. A Igreja, a declarou santa em 1767. SANTA MARGARIDA ALACOQUE - Margarida nasceu no dia 22 de Agosto de 1647 em Verosvres, na Borgonha (França). Seu pai, Claudio de Alacoque, juiz e tabelião, morreu quando Margarida ainda era muito jovem. Após a morte do pai, foi morar com o tio, Toussant. Ela e a mãe, Felizberta de Alacoque sofreram com essa mudança. Margarida conheceu então a humilhação da necessidade, vivendo ao capricho de parentes pouco generosos e nada propensos a consentir que ela realizasse o seu desejo de fechar-se no convento. Recebeu a comunhão aos nove anos e aos 22, a confirmação, para a qual quis preparar-se com confissão geral. (Ficou quinze dias preparando-se, escrevendo num caderninho a grande lista de seus pecados e faltas, para ler depois ao confessor). Na festividade de São João Evangelista de 1673, no Mosteiro da Visitação de Paraylemonial uma moça de vinte e cinco anos, irmã Margarida Maria, recolhida em oração diante do Santíssimo Sacramento, teve o singular privilégio da primeira manifestação visível de Jesus, que se repetiria por outros dois anos, toda primeira sexta-feira do mês. Em 1675, durante a oitava do Corpo de Deus, Jesus manifestou-se-lhe com o peito aberto e, apontando com o dedo seu coração,