Sobre a Obra
SÉRGIO MILLIET PAISAGEM RURAL COM CASA E GALINHA - OST ASSINADO ATRÁS, LOCALIZADO E DATADO 1942. 68 x 63 cm (considerando-se o tamanho da moldura). NOTA: Sérgio Milliet da Costa e Silva (São Paulo, 20 de setembro de 1898 São Paulo, 9 de novembro de 1966) foi um escritor, pintor, poeta, ensaísta, crítico de arte e de literatura, sociólogo e tradutor brasileiro. Foi também diretor de biblioteca, tendo dirigido a Biblioteca Mário de Andrade. Filho de Fernando da Costa e Silva e Aida Milliet (1878 - 1900), ficou orfão de mãe aos dois anos de idade e, quando adquiriu alguma maturidade, foi levado à Suíça para estudar humanidades em Genebra. Isso aconteceu quando mal havia completado doze anos. Cursou também ciências econômicas e sociais na Escola de Comércio, concluindo seus estudos na Universidade de Berna. Sergio Milliet permaneceu na Suíça de 1912 a 1920, portanto exatamente no período em que a Europa se via envolvida na primeira Grande Guerra. A Suíça se manteve neutra e por isso lá se refugiaram vários expoentes da intelectualidade européia. Milliet pode, assim, conhecer e conviver com escritores, poetas e artistas plásticos que já tinham renome internacional. Em Genebra escreveu e editou seus primeiros livros de poesia usando a língua francesa que dominava bem: Par le Sentier, em 1917, e Le Depart sous la Pluie dois anos após. Em 1920 retorna ao Brasil e logo integra-se no acanhado meio intelectual e artístico de São Paulo. Pouco depois iria participar da Semana de Arte Moderna. Por suas ligações e amizades formadas na Europa e uma liderança que lhe foi atribuída naturalmente, sem que ele procurasse por isso, pelos homens e mulheres que formavam a intelectualidade paulista, Milliet tornou-se o homem-ponte entre os dois mundos, um com sua cultura já sedimentada, o outro tentando fugir do estilo provinciano e acomodado que o caracterizava. Curioso o depoimento de Di Cavalcanti sobre essa ligação exercida por Sérgio Milliet na primeira metade do século XX (publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 24 de outubro de 1998): Quando Sérgio Milliet em 1923 voltou para a Europa, fui atrás. Naquele tempo, enquanto Oswald de Andrade gastava o dinheiro do pai do modo mais provinciano e burguês possível e Mário de Andrade era um moço de igreja, que adorava procissões, eu conheci a dureza da sobrevivência por conta própria; arranjei um emprego na revista Monde e, como jornalista, sem contar a ninguém que era pintor, entrei em contato com Braque, Picasso e toda a vanguarda francesa, sempre levado e guiado pela mão de Sérgio Milliet. E foi homenageado com seu nome em várias escolas do Brasil. Por sua vivência na Europa, naturalmente, Milliet entrou em contato com as técnicas cubistas e futuristas, as quais empregou com êxito. Sérgio Milliet verteu diversas obras para a língua portuguesa, entre elas Os Ensaios de Michel de Montaigne. (https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Milliet)